Em entrevista à plataforma Human Resources Portugal, publicada a 18 de agosto de 2026, o Prof. Dr. Victor Amorim Rodrigues, psiquiatra, professor universitário e diretor clínico da The Clinic of Change, defendeu uma mudança de paradigma na forma como as organizações encaram a saúde mental dos seus colaboradores. A conversa abordou o estado da saúde mental no contexto laboral, os sinais de alerta do burnout, o papel das organizações na prevenção e as opções terapêuticas disponíveis para os casos mais resistentes.

Saúde mental no trabalho: uma prioridade estratégica

O ponto de partida de Amorim Rodrigues é claro: a saúde mental deixou de ser uma questão exclusivamente clínica ou individual para se tornar uma responsabilidade organizacional. Apesar da maior literacia e da redução do estigma nos últimos anos, muitas empresas continuam a abordar o tema apenas quando surgem situações de doença ou afastamento laboral. Para o psiquiatra, esta abordagem é insuficiente: “O grande desafio consiste em deixar de olhar para a saúde mental apenas como uma resposta à doença e passar a encará-la como um investimento estratégico nas pessoas e na sustentabilidade das organizações.”

Burnout: os sinais que aparecem muito antes do colapso

Um dos temas centrais da entrevista é o burnout – e a ideia errada de que começa quando alguém deixa de conseguir trabalhar. Amorim Rodrigues descreve os primeiros sinais: perda de entusiasmo, fadiga persistente, irritabilidade, dificuldades de concentração e distanciamento emocional em relação ao trabalho. “Muitas pessoas continuam a cumprir horários e objetivos durante bastante tempo, mas fazem-no com um enorme esforço interno. É precisamente nesta fase que a intervenção pode ser mais eficaz.”

Os líderes têm aqui um papel determinante. São frequentemente os primeiros a identificar alterações comportamentais subtis nas suas equipas, como um colaborador que deixa de contribuir nas reuniões ou que, apesar de presente, parece desligado do ponto de vista emocional.

O contexto de trabalho como fator de risco ou de proteção

A evidência científica é inequívoca: o contexto organizacional influencia profundamente a saúde mental. Cargas de trabalho excessivas, falta de autonomia, objetivos pouco claros e culturas baseadas na disponibilidade permanente constituem fatores de risco bem conhecidos. Em sentido inverso, ambientes que promovem a confiança, a segurança psicológica e o equilíbrio entre exigência e apoio tendem a proteger a saúde mental e a potenciar o desempenho. “Quando falamos de prevenção, não podemos limitar-nos a oferecer apoio psicológico aos colaboradores. Temos igualmente de refletir sobre a forma como desenhamos o trabalho e exercemos a liderança.”

Depressão resistente e as novas opções terapêuticas

Na parte final da entrevista, Amorim Rodrigues aborda a depressão resistente ao tratamento – uma realidade que afeta um grupo significativo de doentes que mantém sintomas apesar de tratamentos corretamente conduzidos. Para estas pessoas, o impacto vai muito além do sofrimento psicológico: a dificuldade em concentrar-se, tomar decisões e manter níveis consistentes de energia interfere profundamente com a vida profissional e familiar. Muitas continuam a trabalhar durante esse período, frequentemente à custa de um enorme esforço pessoal invisível para quem as rodeia.

A boa notícia, sublinha, é que as opções terapêuticas disponíveis evoluíram significativamente. Na The Clinic of Change, intervenções como a psicoterapia assistida por cetamina e a Estimulação Magnética Transcraniana integram programas terapêuticos estruturados, conduzidos por equipas multidisciplinares, com critérios rigorosos de seleção e monitorização clínica contínua. “Mais do que falar de inovação tecnológica, prefiro falar de medicina personalizada. O objetivo é oferecer a cada doente a abordagem que melhor responde às suas necessidades clínicas.”

O entrevista completa pode ser lida na edição online da Human Resources Portugal.