Um estudo levado a cabo pela Shortwave Life Sciences, empresa biofarmacêutica que opera na área da saúde mental, está a avaliar a eficácia da psilocibina no tratamento da anorexia. A psilocibina é uma substância psicadélica de origem natural, proveniente de certos cogumelos. Tem ganhado destaque como possível alternativa em saúde mental. Atualmente, o estudo analisa os seus efeitos em casos de anorexia.

O objetivo do estudo é demonstrar que este psicadélico pode ser administrado de forma segura e aceite pelos pacientes. A meta é integrá-lo de forma eficaz na prática clínica. A empresa apresentou as conclusões no início de dezembro, em Londres, no âmbito do Psych Symposium 2025, no qual a The Clinic of Change marcou presença.

Num painel intitulado “Designing Breakthroughs: A New Human Study for Anorexia Treatment”, liderado pela principal consultora clínica da Shortwave Life Sciences, a Dra. Nadya Lisovoder, a empresa apresentou as mais recentes conclusões do referido estudo.

A complexidade da doença

Em entrevista à plataforma britânica Psychedelic Health, Lisovoder afirmou que se trata da perturbação psiquiátrica com a mais elevada taxa de mortalidade. A sua complexidade deve-se ao facto de ser uma “condição multifatorial, que envolve simultaneamente mecanismos emocionais, cognitivos e fisiológicos”. Por isso, tem existido pouca inovação terapêutica nesta área.

A empresa partiu, portanto, para o desenvolvimento de uma perspectiva integrada. “A nossa abordagem procura envolver simultaneamente vários sistemas de recetores e vias neuronais relevantes, abordando as dimensões mentais e emocionais da anorexia de uma forma mais completa”, referiu a investigadora.

Como funciona a psilocibina?

Tal como a cetamina, a psilocibina promove neuroplasticidade. Isto permite ao cérebro formar novas associações e quebrar padrões rígidos de pensamento. Em doenças em que as pessoas ficam presas a padrões estreitos de pensamento ou comportamento, como acontece com a anorexia, este estado pode representar uma oportunidade terapêutica considerável.

“Mesmo uma alteração modesta nestes circuitos subjacentes pode apoiar a mudança quando combinada com o enquadramento clínico adequado”, referiu ainda Lisovoder. Nesse sentido, a empresa desenvolve um filme bucal à base de psilocibina — formato não invasivo e de fácil administração. Os componentes ativos são absorvidos pela mucosa oral e entram diretamente na corrente sanguínea.

O principal objetivo é confirmar que os clínicos podem administrar o tratamento de forma segura, com acompanhamento psiquiátrico e nutricional.

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