Uma revisão sistemática de estudos publicados até 2025 sugere que a cetamina associada à psicoterapia pode ser eficaz no tratamento de várias perturbações psiquiátricas – incluindo depressão, ansiedade, dependências e perturbação de stress pós-traumático –, mas os benefícios adicionais da psicoterapia exigem estudos adicionais.
A combinação de cetamina e psicoterapia — conhecida como ketamine-assisted psychotherapy (KAP) – tem vindo a ser utilizada desde a década de 1970 no tratamento de diferentes perturbações psiquiátricas. Esta abordagem procura conjugar os efeitos farmacológicos rápidos da cetamina com o enquadramento estruturado da psicoterapia, refletindo a evolução dos diferentes modelos terapêuticos ao longo das últimas décadas.
Porque está a cetamina a ganhar relevância na saúde mental?
O interesse nesta estratégia tem crescido, sobretudo devido à capacidade da cetamina de induzir melhorias rápidas em perturbações como a depressão major e a depressão resistente ao tratamento. Para além da redução de sintomas, alguns estudos apontam também para um maior envolvimento dos doentes no processo terapêutico, bem como para o aumento da abertura emocional e da disponibilidade para o trabalho psicoterapêutico.
O que mostra a evidência científica disponível?
Apesar deste potencial, a evidência científica sobre os mecanismos de funcionamento e sobre a melhor forma de integrar a psicoterapia permanece limitada. Uma revisão sistemática recente, publicada em março na plataforma ScienceDirect e conduzida maioritariamente por investigadores do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Groningen, nos Países Baixos, com a participação de investigadores da Fundação Champalimaud, em Lisboa, analisou 64 artigos, correspondentes a 72 estudos, que combinaram cetamina com diferentes abordagens psicoterapêuticas.
Os resultados sugerem que esta abordagem poderá ter eficácia em vários diagnósticos, incluindo depressão, perturbação de stress pós-traumático, perturbação obsessivo-compulsiva e perturbações relacionadas com o uso de substâncias. Em termos gerais, a associação entre cetamina e psicoterapia parece contribuir para maior adesão ao tratamento, redução de sintomas e, em alguns casos, efeitos terapêuticos mais duradouros.
A psicoterapia acrescenta benefícios ao tratamento com cetamina?
De forma transversal, os estudos analisados apontam para alguns elementos comuns nas intervenções, nomeadamente a preparação dos doentes, a supervisão clínica durante as sessões e a integração posterior da experiência. Ainda assim, os autores sublinham que são necessários estudos adicionais para clarificar o papel da psicoterapia e identificar os modelos terapêuticos mais eficazes.
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