Para quem não respondeu a pelo menos dois antidepressivos, a escetamina intranasal, comercializada como Spravato®, representa uma alternativa terapêutica aprovada com evidência clínica robusta. Na The Clinic of Change, o programa está disponível sob supervisão médica contínua.
A escetamina intranasal, comercializada sob a designação Spravato® e desenvolvida pela Janssen (Johnson & Johnson), é um medicamento aprovado para adultos com depressão resistente ao tratamento, ou seja, para quem não obteve resposta adequada a pelo menos dois antidepressivos diferentes, com dose e duração adequadas, no episódio depressivo atual. Está igualmente indicada, em conjunto com terapia antidepressiva oral, para a redução rápida dos sintomas depressivos em doentes com ideação ou comportamento suicida agudo.
O que é a escetamina e como difere da cetamina?
A escetamina é um subcomponente da cetamina, especificamente o enantiómero S da molécula, e atua como antagonista dos recetores NMDA do glutamato. Este mecanismo de ação é distinto dos antidepressivos convencionais, que atuam maioritariamente sobre os sistemas monoaminérgicos. A principal vantagem clínica desta diferença é a rapidez de efeito: enquanto os antidepressivos convencionais demoram semanas a produzir resultados, a escetamina pode produzir redução dos sintomas depressivos em horas ou dias.
Ao contrário da cetamina intravenosa, administrada por injeção intramuscular ou endovenosa, a escetamina é administrada por via intranasal, através de um dispositivo de spray nasal. O doente administra o medicamento a si próprio, sob supervisão de um profissional de saúde.
Como é administrada?
O tratamento realiza-se em ambiente clínico, em regime ambulatório. Antes de cada sessão, o doente não deve comer nas duas horas anteriores, não deve usar qualquer spray nasal na hora precedente e não deve beber líquidos nos 30 minutos antes da administração. Cada dispositivo contém 28 mg de escetamina e liberta dois jatos – um em cada narina. As doses disponíveis são 28 mg, 56 mg e 84 mg, o que significa que o doente pode precisar de utilizar até três dispositivos por sessão, com um intervalo de cinco minutos entre cada um.
O protocolo divide-se em duas fases principais. Na fase de indução, para doentes com depressão resistente ao tratamento, o medicamento é administrado duas vezes por semana durante quatro semanas, nas doses de 56 mg ou 84 mg. Na fase de manutenção, que se segue, a frequência reduz para uma vez por semana durante quatro semanas e, posteriormente, para uma vez por semana ou uma vez a cada duas semanas, conforme indicação médica. Em doentes com ideação suicida aguda, o protocolo de gestão de emergência prevê administração duas vezes por semana durante quatro semanas, com uma dose inicial fixa de 84 mg.
O que acontece durante e após a sessão?
Após a administração, o doente permanece na clínica sob supervisão médica, num ambiente confortável e tranquilo, tipicamente durante cerca de 90 minutos, o tempo necessário para que os eventuais efeitos da substância se dissipem. Durante este período, a equipa clínica monitoriza regularmente o estado do doente e a pressão arterial. O doente não pode conduzir nem operar máquinas até ao dia seguinte, após uma noite de sono de qualidade, e deve regressar a casa acompanhado.
Quais são os efeitos adversos mais comuns?
Os efeitos adversos mais frequentes e que podem afetar mais de uma em cada dez pessoas incluem sensação de dissociação, ansiedade, alteração do paladar, tonturas, sonolência, sensação de dormência (incluindo na área em redor da boca), cefaleia, vertigem, náuseas e elevação transitória da pressão arterial. A maioria destes efeitos é de curta duração e resolve-se espontaneamente, tipicamente dentro de 90 minutos após a administração.
O que é a dissociação? Deve preocupar?
A dissociação é um dos efeitos mais associados à escetamina e ocorre em cerca de um em cada quatro doentes em estudos clínicos, embora na maioria dos casos seja ligeira a moderada. Pode manifestar-se como uma sensação de estar desligado de si próprio, uma experiência semelhante a um sonho, distorção da perceção do tempo e do espaço, ou alterações no que se vê, sente e ouve. Os sintomas de dissociação tendem a resolver-se cerca de 90 minutos após a dose e a tornar-se menos intensos ao longo do tempo com a repetição do tratamento. Menos de um em cada 100 doentes interrompeu o tratamento devido à dissociação.
Estão em maior risco de dissociação os doentes com histórico de perturbação de stress pós-traumático, maus-tratos ou eventos traumáticos na infância, perturbações alimentares, abuso de substâncias, ansiedade ou perturbações do humor. Estes fatores devem ser comunicados à equipa clínica antes de iniciar o tratamento.
E a pressão arterial?
A escetamina pode provocar um aumento transitório da pressão arterial, que tende a atingir o valor máximo cerca de 40 minutos após a administração e a regressar ao normal dentro de 90 minutos. Em adultos com menos de 65 anos, menos de um em cada 20 doentes apresentou pressão arterial elevada após a administração. A pressão arterial é monitorizada antes e após cada sessão. O medicamento está contraindicado em doentes com aneurisma vascular, hemorragia cerebral ou enfarte do miocárdio nas últimas seis semanas.
Quem não deve tomar escetamina?
Para além das contraindicações cardiovasculares referidas, a escetamina não é recomendada em doentes com 65 ou mais anos – a evidência de eficácia nesta população não foi estabelecida em ensaios clínicos. Doentes com histórico de abuso ou dependência de substâncias devem informar a equipa clínica, que avaliará o risco individualmente. O risco de abuso é monitorizado ao longo de todo o tratamento.
O programa Change Escetamina na The Clinic of Change
Na The Clinic of Change, o programa de escetamina intranasal está disponível para adultos com depressão resistente ao tratamento que não responderam a pelo menos dois antidepressivos corretamente conduzidos, bem como em situações de ideação suicida grave que exijam uma resposta clínica rápida. O tratamento é realizado sob supervisão contínua de um médico psiquiatra, em ambiente clínico controlado, e integrado numa abordagem multidisciplinar que inclui acompanhamento psicoterapêutico. O primeiro passo é sempre uma avaliação clínica individualizada.
Este artigo tem caráter informativo e baseia-se no Guia para Pacientes de Spravato® (cloridrato de escetamina), produzido pela Janssen – Pharmaceutical Companies of Johnson & Johnson. Não substitui o aconselhamento médico individualizado.
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